sábado, 15 de novembro de 2008

Periodismo chapucero

Lexicografia ética

domingo, 19 de outubro de 2008

Cita do dia

"People make others uncomfortable when they disconfirm stereotypes — we don't know how to interpret them."
Beth A. Livingston

domingo, 28 de setembro de 2008

El retonno

Há muito a contar, mas resumindo resulta que, se tudo for bem e conforme previsto (resta negociar a terminação prematura do meu contrato -a termo certo, ou de duração determinada- aqui), a final do mês estarei de volta em Barcelona, a trabalhar para Star Serviços Lingüísticos como terminólogo e responsável do serviço técnico. Não quero pôr o carro diante dos bois, por isso possivelmente não publicarei esta mensagem até tudo estar certo e confirmado (desculpas).

O que queria contar é que ontem, numa noitada sem nada de particular mas para mim muito especial (talvez porque seja a última com a turma de espanhakas daqui), com o Rodrigo e Anna, Samuel e Nina, Sanela e Sreten, e eu (o único desparelhado), a gente juntou-se e comeu pescado (uma espécie de cruzamento entre salmão afumado e truta) com batatas, salada e molho de cogumelos. Que gostoso! Que boa companhia! :) Acharei muito em falta estes bons momentos...

A gente falou, entre outras coisas, do inverno finlandês e da sua falta de luz. Como parece que eu irei embora, não poderei experimentar isso, e a verdade é que tinha curiosidade por ver como reagem o meu corpo e a minha mente às baixas temperaturas e sobretudo à escuridão, nem que seja por uma vez. Diziam que há semanas em que não há nada na rua, um apenas pode ir de lojas, e que se está nublado há dias em que não há dia, apenas noite. O Rodrigo tenta sempre viajar uns dias no inverno a algum lugar para ter luz solar, porque senão acaba louco, e o Samuel deprime-se.

Há o que se chama o transtorno afectivo estacional, que não apenas afecta as pessoas que moram perto do árctico, é claro, mas aqui é com certeza mais proeminente. Este é talvez um dos piores aspectos deste país, sobretudo se se morar aqui vários anos. Com certeza a luz do inverno mediterrâneo (a morar em Barcelona) anima a minha vida muito mais do que o fariam as trevas deste país, ainda que provavelmente o meu próximo inverno em Barcelona consistirá em estar quase o dia todo fechado entre quatro paredes. Do frio não nada digo, porque cada qual sente o frio conforme anda vestido.

Ok, ok, em Barcelona terei mais luz, estarei mais alegre, terei mais energia, e o corpo não me pedirá hibernar em vez de ir trabalhar. Óptimo. Mas como não há mel sem fel, fugirei da escuridão do inverno finlandês, mas aqui também há coisas boas que Barcelona não tem: o ar puro e a natureza. Aqui há mais poluição dentro de casa que fora, e o clima é muito seco, apesar de estarmos rodeados de lagos. De facto, desde que estou aqui não peguei nenhum resfriado, quando em Barcelona estou encamado pelo menos duas vezes ao ano (e na Galiza muito mais, pela humidade...).

Enfim, não se pode repicar e ir na procissão :)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Em Bretanha

Hoje cheguei a Vannes. Marine foi-me recolher à estação. Encontrei-na um bocado diferente :) Para quem não o saiba, Marine e eu conhecemo-nos desde que eu estava em 3º de BUP, e fomo-nos vendo cada três ou quatro anos. A última vez que nos víramos foi em 2004, quando eu passei algum tempo em Rennes a frequentar aulas na faculdade de tradução. Pois agora já é madame! Casam o próximo sábado, motivo pelo qual estou cá eu. Gastei um dinheiro para chegar (o bilhete de comboio de Paris a Vannes é quase tão caro como o bilhete de avião) mas estou muito contente de estar aqui.

Adoro a família de Marine. São realmente adoráveis! Sempre me encontro muito cómodo na casa deles...

Ainda que a Marine me tinha dito que eu seria o seu presente de casamento porque já teria bastante dispêndio com a viagem, achei de qualquer jeito que devia oferecer alguma prenda, e finalmente comprei uma saladeira com motivos florais, um bocado arabesco. Não consegui encontrar nada típico finlandês que valesse a pena, tampouco tive ocasião de comprar o tajin, e tampouco encontrei a chaleira árabe com copinhos. A saladeira é muito bonita, ainda que não é feita à mão, e eu teria preferido algo de artesanato.

Curiosamente, na França, se calhar por isso de ser uma república laica, embora as pessoas casem pela igreja, devem igualmente consumar primeiro o matrimónio na câmara municipal.

Em Paris

Na passada sexta-feira à noite cheguei a Paris e fui directamente encontrar-me com a Ophelie, que me esperava não muito longe da sua casa. Não havia muito tempo que não nos víamos, mas sempre é um prazer vê-la. Fomos ao bar onde estava com (oh surpresa!) o Alan, a Anna e um amigo inglês da Anna. Já jantaram e levavam umas quantas garrafas de vinho, e depois de chegar ainda continuaram a circular as garrafas. Depois de o bar fechar, fomos comprar umas bebidas e continuamos a festa na casa da Oph. De ali são as fotos que se seguem:



Ao dia seguinte, depois de dormir a ressaca, levantamo-nos com calma e fomos comer um prato de kafta (no meu caso) a um parque perto com Sandrine, uma amiga de Oph que esteve no Quebec que diz que lá não falam francês ;) E já que estávamos sentados na erva muito à vontade, foi ali que fizemos a digestão.

No domingo, fui visitar o Instituto do mundo árabe, aonde cheguei um pouco tarde e portanto não me deu tempo a ver a exposição com calma, de facto a última parte (talvez a mais interessante) só tive cinco minutos para vê-la. Mas ainda não fecharam a livraria, e tive ocasião de ver tudo o que lá têm, e de comprar um par de livros para fazer presentes e para mim. Fiquei um bocado desiludido com a seção dedicada à língua, esperava que fosse mais completa, sinceramente.

E finalmente, antes de vir para a Bretanha, na sexta-feira à noite, fui buscar o Maël e a Karine à estação de Montparnasse, e de ali a gente foi à casa deles, e jantamos por ali perto, eu um confit de canard delicieux :) Depois disso, Karine foi-se deitar, porque estava cansada e talvez porque no seu seio alberga um novo ser desde há dois meses!!! :) Maël e eu fomos tomar uns copos, eu por festeiro e Maël porque isso de ser pai dá sede a qualquer um! :)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sauna

Hoje foi a segunda vez que fui à sauna de Rajaportti (Rajaportin Sauna, suomeksi, quer dizer, em finês). Aqui encontrei umas fotos duns gajos, acho que checos, que não sei quem sejam, mas dá para ver como é o quintal da sauna. Não encontrei fotos do interior da sauna, se calhar não está permitido fazê-las dentro, para que não saiam nem mamilas nem pirolinhas (dispense-se-me a galegada :). A primeira vez foi quando a Maggie O'Connell esteve cá de visita, e "à terceira foi a vencida": o primeiro dia que viemos a sauna não abria e o segundo dia chegamos quando já estava a fechar! :P Já o terceiro, chegamos em tempo, prevenidos, e pudemos suar como porcos.

É uma sauna antiga, diz que tem mais de um século, e é aquecida à maneira tradicional, com lenha numa caldeira, não com uma resistência eléctrica como as modernas. Há uma pia com água morna, com uns caldeiros que os lugareiros usam para botar-se água por cima, antes e depois de suar. A sauna está, digamos, no andar de cima, há umas escadas para subir e tem uns bancos para sentarem as pessoas. Está muito calor e ao entrar começo a suar de imediato, não como nas outras, onde me tardam uns minutos em começar a escorrer as pingas de suor.

Surpreende-me que os fineses não levem nem chinelas nem toalhas dentro da sauna, porque ali há muitas pessoas a suarem, e eu pensaria que é fácil contagiar alguma doença da pele. Na minha experiência de nadador sempre era uma regra de ouro levar chinelas nos vestuários e nas duchas, para não apanhar um fungo, ou um pé de atleta, ou sei lá o quê. E mesmo assim alguma vez apanhei algo... Aqui, dá-me por pensar se a alta temperatura da sauna matará toda bactéria... Por um lado, tem a sua lógica: eu levo toalha, que ponho sempre baixo das nádegas para sentar no banco, mas depois de estar um bocado, a toalha acaba totalmente enchoupada (perdão por mais uma galegada) e quase acaba sendo pior o remédio que a doença.

É uma experiência alucinante. Ardem-me as orelhas e o pelo queima-me ao me tocar a pele, tenho que recolhê-lo. As pulsações sobem como se estivesse a fazer exercício, e de facto depois da sauna fico respirando como se tivesse nadado uma hora. Estamos no calor quinze ou vinte minutos, e depois vamos para fora, depois de botar água por cima para lavar o suor. Fora as pessoas estão um tempinho, até que a pele seca, enquanto bebem uma cerveja, ou simplesmente água. Dizem que os fineses não falam, havia que ver os tertulianos natos que estavam comigo hoje! Hoje também, pela primeira vez, um colega fustigou-me nas costas com esse ramilhete duma espécie de louro que não é louro. Uma sensação muito agradável, na verdade.

Há quem me contasse, acho que foi a Maggie (te quiere ayudar), que tradicionalmente, quando não havia água quente nas casas, os fineses lavariam-se assim, indo à sauna, porque suar limpa a pele e, ao botar água por cima depois, lavam todo o suor. Seja como for, hoje no final, o Jarkko e os outros lavaram-se na pia com sabão. Eu não tinha sabão e por não ter nem sequer tinha uma toalha decente, tinha apenas a toalhinha em que pousava o rabo, porque contava secar ao ar ao terminar, mas não tivemos tempo e fiquei um pouco húmido. Por isso é agora que vou ir à ducha, já em casa... ;)

Tenho pendente contar muitas coisas, por exemplo como é a minha casa nova em Pispala (bonitíssima), os meus novos vizinhos ou a minha primeira conversa em finês digna de tal nome, mas estou muito atarefado. Peço desculpa e espero que todos os leitores e todas as leitoras desta meu caderno de bitácula compreendam que é melhor gastar o tempo em viver coisas que em contá-las :) E não se esqueçam de me corrigir as gralhas!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Da correspondência (e da falta dela)

Aí atrás escrevia que recibo muito correio. Vou fazer um pequeno esclarecimento para que não se sinta aludid@ quem não deve. Referia-me em tom jocoso a todo o correio que recebo de listas de discussão, de boletins, de ofertas de voos, de ofertas de trabalho, de novas publicações de linguística, de calls for papers, de convocatórias de bolsas, de cursos, de cadeias de correios, de quanta caralhada há!! Não me referia nem pela mais indirectíssima das alusões aos correios (ou mesmo alguma carta!) que mandam os meus queridos e as minhas queridas, que são vocês, que me dão a vida, aqui na distância e em qualquer parte. Aproveito e peço imensa desculpa porque sei que nem sempre a minha resposta chega pronta e célere. Obrigado por tudo, sempre (incluída a vossa paciência). Beijos.

domingo, 25 de maio de 2008

kara.o.ke

Música electrónica em galego: Chegou o momento que. Que? Que de que? Que! Que já está disponível na Regueifa para descarga o novo disco de Projecto Mourente, Kara.o.ke. Uma delícia!
Tras o inesperado sucesso do seu primeiro álbum "Baixo os eucaliptos", volta o Projecto Mourente com um novo trabalho mais meditado que, como novidade, também será editado em suporte físico pola Regueifa Discos. Com "Kara.o.ke", o projecto abre-se à participaçom de várias persoas seguindo os princípios que se marcáram nos seus inícios: fazer pop electrónico na casa como passa-tempo. Baixo este lema acompanham a Carlos Valcárcel Martin Wu (The Homens) e Noel Feáns (Fanny & Alexander) tocando guitarras, Xan Vázquez nos coros e Yolanda Valcárcel como voz adicional no projecto. Nos novos temas pode-se apreciar uma certa influência rock, especialmenete em "Controla-te" ou "Cobro em B", ainda que as referências principais de Projecto Mourente continuam sendo bandas míticas do electropop europeu como Bronski Beat, Pet Shop Boys ou Erasure, ou hispánico como Fangoria, Astrud ou mesmo OBK. Os novos temas venhem acompanhados, ademais, dos remixes de CableFanny & Alexander e Colectivo Oruga e de uma versom do hit de The Homens "Non podo máis". As letras deste segundo álbum profundam na ironia e na retranca de "Baixo os Eucaliptos" e o próprio título "Kara.o.ke" constitui, de facto, um jogo de palavras no que o escárnio do alheio se torna autocrítica.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O email

Isto do correo electrónico é unha braga. Leo os correos que teño, mesmo respondo algúns deles, e cando volvo a abrir o correo volve estar cheo. Non paran de chegar!

Deixádeme vivir!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Piterpanesco

Aunque no sea un gafapastoso prototípico ni viva con mis padres ni me ponga hasta el ojete, me identifico mucho con esa generación a la que tortu... cantó Rosa León... a la cual supongo que pertenezco. En cualquer caso sí que soy piterpanesco

Yo tortu... canté a una generación de niños, niños que ahora ya pues claro son viejunos ya claro, se les ve el car... están cartonianos, se echan así el pelo palante, llevan así gafas de pasta, son así piterpanescos, les gusta ponerse hasta el ojete, todo menos trabajar, viven con sus padres, no sé si sabéis a que generación me refiero, una generación maravillosa.

terça-feira, 13 de maio de 2008

maito


Estes días bebín bastante leite. Hoxe acabei o cartón. Creo que é a primeira vez que me pasa isto, porque até agora sempre tiven que tirar no lixo o cartón aínda estando pola metade, porque se me cortaba o leite. Dura moi pouco este leite. Será que teño má hostia?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Tinta verde

Oba! Que interessante, tenho um/a novo/a leitor/a no meu blogue, veja-se o comentário em Ausencias... O interessante é que não faço ideia de quem pode ser. Pronto, minto: tenho uma ligeira ideia, mas posso estar completamente errado. Vejamos. É uma pessoa que conhece os meus hábitos caligráficos, que escreve em galego internacional e que gosta da informática, dos Mac e do software livre. É tudo quando sei dela/e.

Obviamente é alguém que me conhece e que me conheceu no COU ou depois do COU, porque foi naquela altura que eu comecei a escrever com aquela tinta verde esmeralda da Parker que comprara no El Corte Inglés. Por falta duma pena elegante e prática (que nem tinha nem nunca me decidi a comprar porque sempre esperei que alguém me presenteasse com uma), voltei a escrever com caneta, mas curiosamente há poucos meses, pelo meu aniversário, a Rebeca deu-me de prenda por fim uma pena lindíssima que utilizo desde então, além da tinta verde :) que comprou na Veneza. Casualidades da vida.

Porém, a pensar n@s parceir@s de aulas que eu tive naquela altura, não lembro de ninguém que escrevesse em galego internacional ou que tivesse pré-disposição para tal. Acho que a dica decisiva (ainda que todas o são) é, não sei por quê, a afinidade pelo SL e os Mac. Também outra casualidade da vida, que eu agora justamente tenha um Mac com Tiger depois de usar a Ubuntu durante vários anos. Que diga agora ou cale para sempre (ou murmure por detrás) se o seu nome tem ou não as mesmas iniciais que o Open Document Format :) Manifesta-te, espectro ó misterioso cavaleiro, eu coinvoco-te: um golpe (da tua nobre espada) para sim, dois para não. :D

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ausencias...

Sinto non ter escrito ultimamente. Vou escribindo cousas na casa e cando podo vounas subindo ao blogue cando paso por un sitio onde hai conexión sen fíos ou cando podo usar un computador con internet. Teño agora pendente subir varias cousas, o tempo pasa demasiado rápido! Así que desculpas a quen quere máis e non pode telo :) Beixos!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pesuhuone

Acabo de ir lavar e secar a roupa. A sala de lavadoras está noutro edificio á parte. É de noite e chove miúdo. Síntome como cando na casa da aldea o váter estaba fora da casa e para ir cagar había que coller a lanterna e o paraugas.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Subscrición

Parece que xa funciona :)
Parece que a subscrición non está funcionando. Se alguén se subscribiu e ve que lle non chegan as mensaxes que vou publicando, que me mande un mail, que ha de haber outro xeito ;)

domingo, 9 de março de 2008

Neve, sauna e massagens


Ontem foi um dia diferente. Pela primeira vez, tanto desde que cá estou quando na minha vida, fui brincar pela neve abaixo com uma espécie de zorra para as nádegas, veja-se a foto. O mais parecido que tenha feito pode ser baixar pelo passeio abaixo sentado no skate (se dizias patinete ou monopatim eras um ganhão), quando morava no bairro de Sta. Icia, naqueles Sancheski de cor laranja com rodas amarelas. Como digo, pois, foi a primeira vez que fazia coisa tal na neve, e foi divertido! Ainda não tive tempo de ir comprar roupa adequada para andar pela neve, como umas botas de goretex ou um bom anoraque de esquimó, pelo que fiquei com neve por toda a parte, e cheguei a casa com os pés gelados, mas foi uma boa experiência, que espero repetir.

Para acabar o dia, fui tomar uma sauna, que me sentou muito bem ao cútis :) Têm um sistema esquisito: podes reservar a sauna durante uma hora, da qual meia hora é para suares como um porco dentro da sauna mesmo, e outra meia hora é para te vestires no vestuário. Está organizado de tal maneira que a cada sauna correspondem dois vestiários e cada sauna tem duas portas para cada um deles. Se tu entras por uma porta, o utente anterior e o seguinte entram pela outra, de maneira que tens todo o vestuário para ti, e nunca te encontras com as outras pessoas, e evidentemente na sauna estás só. Meu deus, quanto pudor!

Por sinal, a empresa oferece-nos gratuitamente aos empregados seis sessões de massagem ao ano. Parece algo muito bom, mas bem pensado talvez seja um indício de todo o stress que vou padecer no trabalho :)

terça-feira, 4 de março de 2008

Desvalido e sem ajuda num mundo inóspito :)

Ir de compras neste país é toda uma aventura. Se estás chateado em casa sem nada a fazer, deixa o monopoly, deixa o dominó, não há nada tão divertido como ir de compras. Por enquanto ainda não me puseram um intérprete social, desses que as autoridades competentes em integração social contratam para acompanharem os imigrantes ao médico ou ao julgado. Assim, tenho que desenvolver a minha actividade comercial ao acaso. Quando tenho de pedir o que quero ao dependente, não há muito problema, porque pelo geral entendem algo de inglês e se não sempre temos os gestos e as caretas. Mas quando é no supermercado ou no hipermercado, onde tenho que ir enchendo o carrinho eu só, aí a coisa vira uma lotaria!

Quase todos os produtos estão etiquetados apenas em finês e sueco. O sueco ajuda-me às vezes, por exemplo a primeira vez que comprei leite, que se chama maito em finês e mjölk em sueco, ou por exemplo o leite gordo é täysmaito em finês (??) mas helmjölk em sueco (digo eu que mjölk se parece com milk e hel com whole). Parece-se mais com hell mas não sei o que seja o leite infernal... Alguém pensará que não deve ser muito difícil comprar um cartão de leite mesmo sem ler a etiqueta: pois não é assim tão fácil, porque há um lote doutros produtos lácteos (iogurte e outros) que vêm no mesmo tipo de envase e que também têm o mesmo desenho (p. ex. uma vaca) no exterior. MuuuuU!

Assim pois, já comprei algumas coisas que não sei o que sejam :D Comprei uma caixa que parecia conter cereais, de cujo nome só decifrei neljä 'quatro', assim deduzi que devia ser uma mistura de quatro cereais (aí também é verdade que não há qualquer risco: os cereais são cereais) e pela gravura do encarte ao menos devia levar aveia. Também não sei se é assim que se preparam, mas eu faço-os como o porridge dos britânicos, com leite quente. Essa é outra! Há coisas que comprei que não sei como se têm de cozinhar, porque não tenho internet em casa e das instruções apenas entendo os números! :D Como por exemplo o hernekeitto :D

O outro dia, quando fui comprar a roupa da cama e outras coisas, vi-me negro para escolher. Havia tantas coisas diferentes de que só entendia as medidas (150 x 200) que botei ali uma boa meia hora. Não resultou fácil fazer entender a uma dependente que passou por ali (coitada!) que queria saber a diferença entre isto que parecem fundas para edredão e custam 10€ e isto que também parecem fundas para edredão e têm as mesmas medidas mas custam 20€ e ainda isso que também parecem fundas para edredão, e têm as mesmas medidas e custam 30€. Mantas, lençois, lençol de baixo para o colchão, almofada, funda para a almofada, edredão nórdico, funda...

Como isso é algo que não se pode trocar uma vez aberto, queria ter a completa certeza. Por sorte (?), passou por ali uma companheira sueca do trabalho, a namorada dum outro colega colombiano, de quem ela aprendeu a falar espanhol, ainda que este colombiano não fala como os compadres do IULA, antes parece venezolano, que vaina! Digo "por sorte (?)" porque em teoria, sendo sueca, entendia daquilo dos edredões nórdicos e em teoria falava espanhol. Tirou-me mais ou menos de dúvidas sobre o que era cada coisa mas foi uma odisseia entendermo-nos. Dizia-me: Esa cobija es ful chévere, man! Valha-me Deus, que lhe ensinam estes colombianos às suecas :)

Mais aventuras passadas por gelo

Por muito que seja uma chatice, na verdade é espectacular a diferença na intensidade da luz. Todos os dias são dull e gloomy (vaia, não esperava ter tão bons reflexos vocabulares em inglês e tão maus em português! :P ). Os dias são sombrios e nublados, encapotados, pesados. É como se se estivesse fazendo de noite o dia todo. O que mais claridade emite à volta é a neve, é mais luminosa a neve que o céu. Diz-que ainda é cedo para que me afecte animicamente, que levo aqui pouco tempo, mas acho que me sinto muito estranho por causa disso. Por isso, ainda que por enquanto parece que tenho ainda toda a energia do sol do Mediterrâneo dentro de mim, pelas dúvidas é que comprei um edredão rosa e fúchsia em vez de azul, para que as cores me alegrem (ver foto e seguinte mensagem).

De todas as formas, isto não passaria de ser uma circunstância inócua se tivesse o meu tempo de lazer ocupado com actividades sociais, mas por enquanto nem tenho amigos que me convidem a entrar nas suas vidas nem tenho demasiado tempo para a devoção (devo aproveitar para estudar para os exames de junho de português e árabe em Barcelona -- quero muito aprovar esses dois exames). E à falta de luz no ar acrescenta-se outro factor importantíssimo, tenho aqui outra carência que faz o meu nível de qualidade de vida descer pelo menos um par de pontos: os preços da cerveja estão pelas nuvens!!

Ontem fui por segunda vez ao supermercado, decidido a comprar cerveja por uma vez (a primeira vez neguei-me, perante tais preços), e conformado a pagar o que por ela cobram (custa mais aqui uma lata de 0,5 que em Barcelona um pacote de 6 garrafinhas de 0.33). Não sei se é que fazer a cerveja aqui sai de facto mais caro realmente ou é que a gravam com muitos impostos como medida de saúde pública para reduzir o alcoolismo da população. Em qualquer caso, já pode ser boa, ao menos! Comprei três latinhas, de três marcas diferentes, para ir experimentando. A que abri ontem, uma tal cerveja Odin, é uma das piores que já tenha experimentado. Que horror! Já darei notícias se descobrir alguma que valha o que custa.

domingo, 2 de março de 2008

O congelador

O congelador em Finlândia: tão útil quanto uma estufa na Amazónia? Ontem comprei alguns produtos congelados mas quando os ia guardar resultou que o congelador está cheio. Tenho que pedir aos polacos que me façam um pouco de espaço, mas acontece que ontem não estavam em casa. Não hesitei por um instante: pus as luvas e fui fora fazer um buraco na neve, justo diante da janela do meu quarto, onde soterrei o atum e a pescada. Estou afeito a pôr as latas de cerveja no rio ou enterrá-las na areia da praia para arrefecerem: é o mesmo princípio, não? :D Se me viu alguém, decerto terá pensado que tem um vizinho contrabandista, mas diga a minha vizinha e tenha o fole farinha. Isso de "ríase la gente y ande yo caliente" não é muito apropriado neste caso, por razões óbvias ;)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Hernekeitto

Acabo de experimentar um prato típico finlandês: o hernekeitto, que vem sendo uma espécie de puré de ervilhas. Pelo que li em algures, comia-se na janta da quinta-feira porque, quando mandavam os católicos, a sexta era dia de jejum e por isso no dia anterior comiam algo muito consistente. Dizem-me que fica bem acompanhado de pão de centeio, e com filhós de sobremesa. A verdade é que fiquei bem cheio.

O problema foi para prepará-lo. Como vem em uma lata, eu tentei esquentá-la ao banho-maria, mas logo reparei que não estava a dar certo. É mesto demais. Obviamente entender as instruções da lata was out of the question. Assim pois, enviei um sms à minha amiga Laura para perguntar-lhe como é que se faz. E, obviamente também, tem de ser acrescentado um pouco de água e simplesmente esquentar.

Tem um aspecto como de vómitos de vingador tóxico, mas não está nada mal! Gostei e, de facto, acho que amanhã vou ir comprar mais para quando não tenha ganas de cozinhar ;)

Primeiro o orgulho, depois o bandulho

Hoje recebi o meu primeiro ordenado. Como só trabalhei dez dias, este mês só vou cobrar... vamos ver... mais ou menos o que cobrava ao mês quando trabalhava como bolseiro no IULA :) Este mês também acabei de enviar as últimas facturas que tinha pendentes, ou seja que, se tudo for bem, daqui a pouco voltarei a ter bastante dinheiro na conta. Está bem porque, desde que acabou a bolsa (e com ela os influxos pecuniários regulares e a minha estabilidade bancária), a coisa estava muito ruim. Já estava a dizer-me todo o mundo que estou muito magro, que tenho de comer mais... Acho que aqui vamos resolver esse problema, porque no almoço há bufete livre e pelo mesmo preço posso comer tudo o que quiser. Mas haverá que gastar o consumido, vou ver se encontro uma piscina ou um ginásio público...

Company breakfast

Hoje, como cada última sexta-feira de mês, a primeira coisa na ordem do dia de todos os empregados era um pequeno-almoço, pago pela empresa, no restaurante do rés-do-chão. O melhor é que essa hora do pequeno-almoço marcamo-la como hora trabalhada :) Não há nada como trabalhar em uma empresa grande!

Foi óptimo. Para além de experimentar algum prato típico novo para mim (como ovo cozido esmagado com manteiga encima da espécie de pastel), estive a falar com pessoas que ainda não tinha visto. E também com as que já vira mas gosto de voltar a ver, claro :)

De facto, conheci uma moça (muito pouco tímida, para ser finlandesa) que vai embora para Paris em dois dias e vende tudo o que tinha na sua casa. Então se calhar já consegui lâmpadas, torradeira, pratos, cobertos, panelas, etc. por um preço acessível. Quase quase o único que me resta é conseguir uma conexão à Internet...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Contrastes térmicos

Cando chego a casa, tiro os zapatos e, como aínda non teño pantuflas nin chinelas, poño unhas medias gordas que me deixou a Laura (a miña amiga de Turku). Levo todos estes días chegando a casa e pensando que o chan está quente, ou sexa, que deben ter calefacción por debaixo do chan ou algo así. Pero parecíame raro que un piso rasca de estudantes como no que vivo eu tivese tan boas instalacións e que talvez o que pasa é que os meus pés están demasiado fríos!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Nova morada, nova violeta, nova lila, nova fúcsia...

Ontem mudei-me de casa. Deixei o hotel em que estive durante uma semana, por sorte pago pela empresa, e vim para esta casa onde morarei com os meus novos parceiros de piso, um casal de polacos bastante simpáticos. Já decidi há um par de dias vir morar com eles, mas não deu para fazê-lo antes porque o que seria o meu quarto estava ocupado por uma visita. Seja como for, foi ontem que finalmente me mudei. Os polacos tinham de ir levar à estação a visita que tinha e, ao voltarem da cidade, passaram pelo hotel para me recolherem e assim evitar eu ter que apanhar um táxi. A nova casa está mais perto do centro, numa zona muito tranquila, e tem sauna, sala de tevê e lavadora, além de casa de banho (ou mais bem casa de duche), sanitário (wc) e cozinha. O meu quarto é grande, com uma janela que dá ao monte, que agora está nevado, e tem um armário e uma estante, mas a cama é bastante estreita.

Ontem aconteceu-me que, acostumado a todas as comodidades como estava no hotel, cheguei cá e dei-me conta que não tinha roupa de cama nem toalha. Tivera tempo de ir de compras mas não pensara em que me ia mudar um sábado à noite e que na casa nova não ia haver estas coisas. Os polacos também não tinham uma muda de sobra, assim tive de ligar um companheiro do trabalho e perguntar se ele tinha uma de recâmbio que me pudesse emprestar. Por sorte, disse que sim, e pouco depois de ter esvaziado a mala já estava eu de volta no autocarro em direcção ao centro para pegar um edredão, um lençol e uma toalha. Para além disso, terei que comprar mais algumas coisas, como umas quantas perchas, calçado para a neve, umas *plantilhas* para os sapatos, um fato de treino para ir ao ginásio, uma lâmpada para a mesa, um tupperware para levar o almoço ao trabalho, uma almofada, umas chinelas para estar em casa, umas havaianas para o duche, um secador de cabelo, umas pinças para tender a roupa, uma chaleira, tinta para a pena nova...

Hoje já acordei na minha nova morada. A cama é estreita mais supreendentemente cómoda, acordei muito cedo e muito descansado. O seguinte passo foi conseguir provisões. Achava que seria difícil por ser domingo, mas tive sorte e o supermercado daqui ao lado estava aberto hoje. Assim, pude comprar todo o que necessito para poder cozinhar em casa. Infelizmente não têm óleo de girassol nem azeite para frigir: a garrafa de azeite mais grande era de meio litro, o qual calculo que nem sequer daria para frigir umas batatas. O outro óleo era de soja, mas não sei se se pode utilizar para frigir, tenho de fazer uma pesquisinha... Para além de produtos que conheça, também comprei alguma coisa esquisita, como um peixe que vem cortado num frasco. Depois, em casa, descobri que é arenque. Está óptimo! Já sei o que vou tomar no pequeno-almoço cada dia!

O meu trabalho...

Alguns textos, como este, estão escritos em português para me servirem também como redacções para a minha aula de português da EOI de Barcelona.

As mesas são ergonómicas, rodeiam-te o corpo e sempre podes ter os braços apoiados. As cadeiras são muito cómodas também, com um bom respaldo, apoia-braços... e funcionam bem. São pequenos detalhes que podem marcar uma grande diferença e fazer a tua vida no trabalho muito mais prestável. Podemos fazer pausas para tomar um refrigério, como 5 minutos por cada hora, e há máquinas de café, cafeteiras, chaleiras, pacotes de chá, sobres de chá, etc. em várias salas por todo o prédio. Por outro lado, há coisas que não funcionam bem, como por exemplo alguns computadores, que estão muito leeeentos... Levo aqui cinco dias e ainda não tenho um escritório próprio, assim cada dia usei uma mesa diferente. Ainda não funciona a minha conexão à Internet e não posso conectar-me ao Communicator (espécie de bate-papo interno), assim é que me tenho que levantar cada pouco para perguntar as dúvidas. Mas tudo chegará, as altas dos novos usuários às vezes levam tempo.

Quanto ao ambiente de trabalho, a verdade é que, por enquanto, é uma maravilha. Todo o mundo não para de dizer-me que não hesite em perguntar se tiver qualquer dúvida, que todo o mundo está para me ajudar, que não existem as perguntas estúpidas. Fazem-me sentir muito seguro de mim próprio, porque posso perguntar absolutamente tudo e não há nada que tenha que deixar ao acaso. Esta semana tive algumas sessões de formação, eu só com outra pessoa, e estivemos cinco horas e meia! Noutros trabalhos, as pessoas que te podem ajudar costumam não ter tempo para ti e, claro, depois os resultados às vezes não são os esperados. Mas aqui por enquanto tudo é ajuda. Talvez seja uma estratégia para enganar-me e que me confie... Um dia deram-me trabalho real (não era uma prática) porque há muitas tarefas atrasadas para mim, e fi-lo, antes de sequer saber como, com a ajuda de uma chefa de projecto que ia supervisando à minha beira todo o que eu fazia. O que mais se pode pedir?

Como mais ou menos já me estou fazendo a isto, hoje pus por primeira vez os auriculares para escutar música e concentrar-me melhor ;)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

El pequeño jatifnatarni ha llegado...

My first day wasn't too bad. I discovered that there are many people from many places who look nice. I just could talk to some of them, mainly the Spanish tester who will be my team manager, and the other new tester, for Hindi, who was very nice and even invited me for diner at his place with his lovely wife (from Iran).

Some parts of the training were confusing and the communication wasn't too good with the person who was tutoring me, but I just coped with it. I'll be much better off when I can get my hands on the documentation and go through it at my own pace. It doesn't look too difficult but it's an overwhelmingly amount of information all at once, and that takes time.

Tomorrow I have to go to get my Finnish social security number, and then a tax card, as I need those as soon as possible to be able to get paid. I'll try also to get a bus pass so I can go anywhere for a fixed monthly rate (44€). I think I will wait a bit more to get a bike, I mean, until the weather gets better and until I know the area a bit more.

All my three previous paragraphs have more or less the same amount of lines. Don't you think that's nice? ;) Now this fourth paragraph looks like it's much shorter (at least so far) and that it will fall behind in the number of lines, but of course if I keep writing nonsense like this it might get to be as long as its older siblings. Humm, hey, I managed! ;)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Estou subscrito?

Esta mensagem deveria chegar-me ao correio m.soutopico...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aínda falta mais o pensamento bule

Estou moi nervioso. Falta unha semana para partir para Finlandia e aínda non acabei o traballo que teño entre maos, aínda non comprei o billete de avión, teño a conta do banco a cero até que cobre certos traballos que aínda non tiven tempo de facturar, aínda non sei onde vou ficar alí, aínda non sei nada!! Mañá teño que ler o contrato e un monte de documentos que me enviaron. Estou moi canso pola sobrecarga de traballo destes días, levo varias semanas deitándome moi tarde e levantándome bastante cedo... En fin, vainas pagar o corpo. Noto como me pasa o sangue polas veas do pescozo. Así a todo, estou entusiasmado coa perspectiva da nova vida para este ano! A aula de finés de hoxe con Karin foi xenial! Aprendin a dicir de que linguas a que linguas traduzo, onde estou, a onde vou e de onde veño, a dar un libro, a pedilo e algunha cousa máis. Todo isto faise con casos, aínda que na verdade son unha especie de posposicións. É espectacular como me sobe a adrenalina cando estou a aprender unha lingua nova. E estou tan entusiasmado que procurei unhas músicas vellas dos Hedningarna que había anos que non escoitaba. E resolvín crear este blogue, onde penso ir contando as miñas aventuras e calamidades polas xélidas terras finesas. Até breve.