terça-feira, 12 de agosto de 2008

Em Bretanha

Hoje cheguei a Vannes. Marine foi-me recolher à estação. Encontrei-na um bocado diferente :) Para quem não o saiba, Marine e eu conhecemo-nos desde que eu estava em 3º de BUP, e fomo-nos vendo cada três ou quatro anos. A última vez que nos víramos foi em 2004, quando eu passei algum tempo em Rennes a frequentar aulas na faculdade de tradução. Pois agora já é madame! Casam o próximo sábado, motivo pelo qual estou cá eu. Gastei um dinheiro para chegar (o bilhete de comboio de Paris a Vannes é quase tão caro como o bilhete de avião) mas estou muito contente de estar aqui.

Adoro a família de Marine. São realmente adoráveis! Sempre me encontro muito cómodo na casa deles...

Ainda que a Marine me tinha dito que eu seria o seu presente de casamento porque já teria bastante dispêndio com a viagem, achei de qualquer jeito que devia oferecer alguma prenda, e finalmente comprei uma saladeira com motivos florais, um bocado arabesco. Não consegui encontrar nada típico finlandês que valesse a pena, tampouco tive ocasião de comprar o tajin, e tampouco encontrei a chaleira árabe com copinhos. A saladeira é muito bonita, ainda que não é feita à mão, e eu teria preferido algo de artesanato.

Curiosamente, na França, se calhar por isso de ser uma república laica, embora as pessoas casem pela igreja, devem igualmente consumar primeiro o matrimónio na câmara municipal.

Em Paris

Na passada sexta-feira à noite cheguei a Paris e fui directamente encontrar-me com a Ophelie, que me esperava não muito longe da sua casa. Não havia muito tempo que não nos víamos, mas sempre é um prazer vê-la. Fomos ao bar onde estava com (oh surpresa!) o Alan, a Anna e um amigo inglês da Anna. Já jantaram e levavam umas quantas garrafas de vinho, e depois de chegar ainda continuaram a circular as garrafas. Depois de o bar fechar, fomos comprar umas bebidas e continuamos a festa na casa da Oph. De ali são as fotos que se seguem:



Ao dia seguinte, depois de dormir a ressaca, levantamo-nos com calma e fomos comer um prato de kafta (no meu caso) a um parque perto com Sandrine, uma amiga de Oph que esteve no Quebec que diz que lá não falam francês ;) E já que estávamos sentados na erva muito à vontade, foi ali que fizemos a digestão.

No domingo, fui visitar o Instituto do mundo árabe, aonde cheguei um pouco tarde e portanto não me deu tempo a ver a exposição com calma, de facto a última parte (talvez a mais interessante) só tive cinco minutos para vê-la. Mas ainda não fecharam a livraria, e tive ocasião de ver tudo o que lá têm, e de comprar um par de livros para fazer presentes e para mim. Fiquei um bocado desiludido com a seção dedicada à língua, esperava que fosse mais completa, sinceramente.

E finalmente, antes de vir para a Bretanha, na sexta-feira à noite, fui buscar o Maël e a Karine à estação de Montparnasse, e de ali a gente foi à casa deles, e jantamos por ali perto, eu um confit de canard delicieux :) Depois disso, Karine foi-se deitar, porque estava cansada e talvez porque no seu seio alberga um novo ser desde há dois meses!!! :) Maël e eu fomos tomar uns copos, eu por festeiro e Maël porque isso de ser pai dá sede a qualquer um! :)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sauna

Hoje foi a segunda vez que fui à sauna de Rajaportti (Rajaportin Sauna, suomeksi, quer dizer, em finês). Aqui encontrei umas fotos duns gajos, acho que checos, que não sei quem sejam, mas dá para ver como é o quintal da sauna. Não encontrei fotos do interior da sauna, se calhar não está permitido fazê-las dentro, para que não saiam nem mamilas nem pirolinhas (dispense-se-me a galegada :). A primeira vez foi quando a Maggie O'Connell esteve cá de visita, e "à terceira foi a vencida": o primeiro dia que viemos a sauna não abria e o segundo dia chegamos quando já estava a fechar! :P Já o terceiro, chegamos em tempo, prevenidos, e pudemos suar como porcos.

É uma sauna antiga, diz que tem mais de um século, e é aquecida à maneira tradicional, com lenha numa caldeira, não com uma resistência eléctrica como as modernas. Há uma pia com água morna, com uns caldeiros que os lugareiros usam para botar-se água por cima, antes e depois de suar. A sauna está, digamos, no andar de cima, há umas escadas para subir e tem uns bancos para sentarem as pessoas. Está muito calor e ao entrar começo a suar de imediato, não como nas outras, onde me tardam uns minutos em começar a escorrer as pingas de suor.

Surpreende-me que os fineses não levem nem chinelas nem toalhas dentro da sauna, porque ali há muitas pessoas a suarem, e eu pensaria que é fácil contagiar alguma doença da pele. Na minha experiência de nadador sempre era uma regra de ouro levar chinelas nos vestuários e nas duchas, para não apanhar um fungo, ou um pé de atleta, ou sei lá o quê. E mesmo assim alguma vez apanhei algo... Aqui, dá-me por pensar se a alta temperatura da sauna matará toda bactéria... Por um lado, tem a sua lógica: eu levo toalha, que ponho sempre baixo das nádegas para sentar no banco, mas depois de estar um bocado, a toalha acaba totalmente enchoupada (perdão por mais uma galegada) e quase acaba sendo pior o remédio que a doença.

É uma experiência alucinante. Ardem-me as orelhas e o pelo queima-me ao me tocar a pele, tenho que recolhê-lo. As pulsações sobem como se estivesse a fazer exercício, e de facto depois da sauna fico respirando como se tivesse nadado uma hora. Estamos no calor quinze ou vinte minutos, e depois vamos para fora, depois de botar água por cima para lavar o suor. Fora as pessoas estão um tempinho, até que a pele seca, enquanto bebem uma cerveja, ou simplesmente água. Dizem que os fineses não falam, havia que ver os tertulianos natos que estavam comigo hoje! Hoje também, pela primeira vez, um colega fustigou-me nas costas com esse ramilhete duma espécie de louro que não é louro. Uma sensação muito agradável, na verdade.

Há quem me contasse, acho que foi a Maggie (te quiere ayudar), que tradicionalmente, quando não havia água quente nas casas, os fineses lavariam-se assim, indo à sauna, porque suar limpa a pele e, ao botar água por cima depois, lavam todo o suor. Seja como for, hoje no final, o Jarkko e os outros lavaram-se na pia com sabão. Eu não tinha sabão e por não ter nem sequer tinha uma toalha decente, tinha apenas a toalhinha em que pousava o rabo, porque contava secar ao ar ao terminar, mas não tivemos tempo e fiquei um pouco húmido. Por isso é agora que vou ir à ducha, já em casa... ;)

Tenho pendente contar muitas coisas, por exemplo como é a minha casa nova em Pispala (bonitíssima), os meus novos vizinhos ou a minha primeira conversa em finês digna de tal nome, mas estou muito atarefado. Peço desculpa e espero que todos os leitores e todas as leitoras desta meu caderno de bitácula compreendam que é melhor gastar o tempo em viver coisas que em contá-las :) E não se esqueçam de me corrigir as gralhas!